QUAL O NOME DE DEUS?
Na Bíblia,
Deus é chamado por vários nomes: ELOHIM (אֱלוֹהִים), que significa “Deus”; ELÔAH (אֱלוֹהַּ), que significa “Deus”; EL (אֵל), que significa “Deus”; ELION (עֶלְיוֹן), que significa “Altíssimo”; SHADAY (שַׁדָּי), que significa “Onipotente”; ADONAY (אֲדוֹנָי), que significa “Senhor” e YAHVEH (יַהְוֶה), que significa “Ele faz existir”.
Este último nome, YAHVEH, é o único nome
que é realmente o nome próprio de Deus. Os outros nomes são mais títulos do que
nomes propriamente.
Este nome é derivado da forma causativa do
verbo hebraico HAVAH (הָוָה), que significa “ser”, ou “existir”.
O nome YAHVEH significa “Ele faz existir”.
O nome YAHVEH aparece muitas vezes no Tanach (Antigo
Testamento).
Este nome é considerado o mais sagrado dos
nomes de Deus.
No entanto, na maioria das traduções da Bíblia, onde aparece o nome YAHVEH,
este nome é substituído pela palavra “Senhor” ou pela palavra “Deus”.
Isto acontece pela seguinte razão:
A partir do século III a.C., os judeus
deixaram de pronunciar o nome sagrado de Deus, YAHVEH, porque achavam que seria
uma profanação pronunciá-lo, e por isso, ao lerem a Bíblia, onde estava escrito YAHVEH,
eles pronunciavam ADONAY, que significa “Senhor”. Por este motivo, quando a Bíblia foi traduzida para o grego, onde
aparecia o nome sagrado YAHVEH, eles colocaram KYRIOS, que em grego significa
“Senhor”. Posteriormente, ao traduzirem a Bíblia
para o latim, onde aparecia o nome sagrado, eles colocaram “Dominus”,
que significa “Senhor”, e depois, quando traduziram para o português, colocaram
“Senhor”.
Em algumas traduções mais modernas, onde
aparece o nome YAHVEH, eles colocaram SENHOR, com todas as letras maiúsculas,
para que o leitor saiba que ali a palavra SENHOR está substituindo o nome
sagrado de Deus, YAHVEH. E quando no
texto original da Bíblia, em
hebraico, aparece o nome ADONAY, eles colocam Senhor, com apenas a inicial
maiúscula.
O nome YAHVEH, quando adaptado para a
língua portuguesa, fica JAVÉ, ou JAEVÉ.
Isto porque, em hebraico, o nome é pronunciado YAHVEH ou YAHEVEH,
conforme se pronuncie de forma mais rápida ou mais pausada.
Algumas pessoas pronunciam o nome sagrado
de Deus como YEHOVAH, e o adaptam para a língua portuguesa como JEOVÁ. No entanto, a pronúncia certa é YAHVEH.
Esta divergência de pronúncia ocorreu pelas
seguintes razões:
O Tanach
(Antigo Testamento) foi escrito em hebraico.
No alfabeto hebraico, originalmente, não
existiam vogais, só existiam consoantes. Não era necessário escrever as vogais,
porque as pessoas que conhecem bem a língua hebraica, lêem
perfeitamente o texto escrito só com consoantes, e inclusive as raízes das palavras,
em hebraico, são constituídas somente de consoantes, que são vocalizadas de
várias formas, para formar verbos, substantivos, adjetivos, etc.
Quando os judeus deixaram de pronunciar o
nome YAHVEH, este nome continuou a ser pronunciado pelos sacerdotes, no Templo,
quando abençoavam o povo com a bênção sacerdotal (Números 4:24-26). Portanto, a verdadeira pronúncia do nome
sagrado continuou conhecida.
No entanto, no ano 70 D.C., o Templo de Deus foi destruído pelos romanos, e
então os judeus deixaram completamente de pronunciar o nome sagrado de Deus, e
por isso, aos poucos, a verdadeira pronúncia foi caindo no esquecimento, embora
a tradição judaica diga que alguns rabinos, ao longo dos séculos, sabiam a verdadeira
pronúncia do nome sagrado de Deus, que é também chamado de tetragrama sagrado,
pois é formado por quatro consoantes: YHVH (יהוה).
Na mesma ocasião em que o Templo de Deus foi destruído, a cidade de
Jerusalém também foi destruída, e os judeus foram expulsos da sua terra e foram
espalhados entre as nações.
Por isso, os judeus deixaram de falar o
hebraico no dia-a-dia, e passaram a usar a língua hebraica apenas para orar e
ler a Bíblia e para escrever
comentários sobre a Bíblia.
Em decorrência disso, começou a surgir o
risco de ninguém mais saber qual a pronúncia correta do texto da Bíblia.
Então os judeus inventaram uns sinais,
constituídos de pontos e traços, que são colocados embaixo ou acima das
consoantes, que representam as vogais, e colocaram estes sinais de vogais em
todo o texto do Tanach
(Velho Testamento).
Como onde aparecia o nome YAHVEH eles
pronunciavam ADONAY, então eles colocaram nas consoantes do nome YAHVEH as vogais de ADONAY, e isto fez com que surgisse a forma
YEHOVAH.
No entanto, dois escritores gregos cristãos
antigos, um chamado Clemente de Alexandria, e outro chamado Teodoreto,
escreveram o nome sagrado de Deus em letras gregas. Clemente de Alexandria
escreveu IAOUE, [1] que se pronuncia IAUE,
pois em grego OU pronuncia-se U, e Teodoreto escreveu
IABE, que se pronuncia IAVE, pois em grego a letra B se pronuncia V. [2] [3] A letra hebraica vav,
que corresponde ao nosso v, originalmente era pronunciada com o som de u, e por
isso em hebraico às vezes a letra vav é usada para
representar o som de u. Por isso, alguns transliteram a letra vav como w, e não como v.
Clemente de Alexandria escreveu
aproximadamente no ano 215 d.C., e Teodoreto escreveu
aproximadamente no ano 466 d.C.
Na época em que eles escreveram,
ainda se sabia a pronúncia correta do nome sagrado de Deus. Como eles escreveram em letras gregas, e no
alfabeto grego existem vogais, ficamos sabendo que a pronúncia correta do nome
de Deus é YAHVEH (יַהְוֶה).
Inclusive, é interessante notar que os
judeus, que antes usavam sempre a palavra ADONAI para substituir o nome YAHVEH
na leitura da Bíblia e nas orações,
de um certo tempo para cá passaram a usar, para este
fim, a palavra HASHEM, que significa “O Nome”.
É possível que os rabinos que ainda
conheciam a verdadeira pronúncia do nome de Deus tenham incentivado os judeus a
usarem a palavra HASHEM para assim conservarem a memória das verdadeiras vogais
do nome sagrado de Deus, pois as vogais de HASHEM são as mesmas vogais de
YAHVEH.
É possível que eles tenham feito isto por
saberem que é necessário preservar a verdadeira pronúncia do nome de Deus, pois
o Templo de Deus, em Jerusalém, será em breve
reconstruído, e então os sacerdotes terão que usar o nome sagrado de Deus,
YAHVEH, para abençoarem o povo com a bênção sacerdotal (Números 6:22-27), pois em Números 6:27, está escrito que Deus disse:
“E porão o Meu Nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei.”
Existe também uma forma abreviada do nome
de Deus, que é YAH (יָהּ). Este nome é o mesmo nome YAHVEH, porém
abreviado. Este nome aparece principalmente
em textos poéticos, como, por exemplo, no cântico de Moisés (Êxodo 15:2), e no
Salmo 118, versículo 5.
Esta forma abreviada YAH aparece também na
expressão HALELU YAH, que é adaptada para o português como ALELUIA, e que
significa “LOUVAI A YAH”.
No nome YAH, o H final é pronunciado, como
um H aspirado. Por isso, a pronúncia deste nome é YAHE.
Este nome, ao ser adaptado para a língua
portuguesa, fica JAE.
O fato de a vogal desta forma abreviada do
nome de Deus ser A mostra que a primeira vogal do nome de Deus é A, o que
evidencia que a verdadeira pronúncia do nome de Deus é YAHVEH (יַהְוֶה).
Há na Bíblia vários nomes de pessoas que
são formados com formas abreviadas do nome de Deus. Exemplos: Yesha’yáhu (Isaías), Yirmeyáhu
(Jeremias), Netanyáhu (Netanias),
Yehoshúa (Josué), Yehochanân
(Joanã, ou João), Yehoshafát
(Josafá).
Em alguns nomes de pessoas, a forma
abreviada do nome de Deus aparece no final da palavra, e em outros, a forma
abreviada do nome de Deus aparece no início da palavra.
A forma abreviada do nome de Deus que
aparece no final de nomes de pessoas é “Yáhu” (יָהוּ).
A forma abreviada do nome de Deus que
aparece no início de nomes de pessoas é Yeho (יְהוֹ).
Em hebraico, as vogais da palavra se
alteram quando a palavra recebe um sufixo.
Por exemplo: A palavra "sêfer" (livro), ao receber o sufixo "im" para fazer o plural, fica "sefarím" (livros).
Outro exemplo: A palavra "davár" (palavra), ao receber o sufixo "eikhem" (sufixo do plural com pronome pessoal da
segunda pessoa do plural), fica "divreikhêm"
(vossas palavras).
Portanto, para saber quais eram as vogais
originais do nome de Deus, devemos nos basear na forma
abreviada do nome de Deus que aparece no final dos nomes próprios, que é "Yáhu" (exemplos: Yesha'yáhu,
Yirmeyáhu, Netanyáhu).
"Yáhu"
é uma forma abreviada de "Yahevéh", assim
como "yehí" é uma forma abreviada de "yiheyéh).
Portanto, o nome de Deus é "Yahevéh", nome este que, quando é pronunciado
rapidamente, é pronunciado "Yahvéh".
A forma abreviada "Yeho",
que aparece no início de vários nomes próprios (como, por exemplo, Yehoshúa, Yehochanân, Yehoshafát), é a mesma forma abreviada "Yáhu", que teve as suas vogais alteradas porque foi
acrescentado a ela um sufixo, que é a segunda parte do nome próprio (nos
exemplos acima, "shúa", "chanân" e "shafát").
Quando os judeus deixaram de pronunciar o
nome de Deus, no século III A.C., eles cometeram um grande erro.
Eles deixaram de pronunciar o nome de Deus,
porque interpretaram erradamente o mandamento
de Deus que está em Êxodo 20:7, e pensaram que este mandamento significa
que não devemos pronunciar o nome de Deus em vão.
No entanto, o verdadeiro significado deste
mandamento é outro.
A tradução correta de Êxodo 20:7, é a
seguinte: “NÃO LEVANTARÁS O NOME DE JAVÉ TEU DEUS PARA FALSIDADE”.
Isto significa que nós não devemos usar o
nome de Deus para enganar o nosso próximo, jurando pelo nome de Deus e
descumprindo o juramento.
Significa que quando nós juramos pelo nome
de Deus, devemos cumprir o juramento.
Deus ordenou que nós juremos
pelo nome dele, como está escrito em Deuteronômio 6:13: “A JAVÉ TEU DEUS
TEMERÁS E A ELE SERVIRÁS, E PELO SEU NOME JURARÁS.”
E em Salmos 105:1 está escrito: “LOUVAI A
JAVÉ, INVOCAI O SEU NOME”.
Portanto, vemos que Deus quer que nós pronunciemos o
Seu nome.
Em Êxodo 23:13,
está escrito: “E EM TUDO O QUE VOS TENHO DITO, GUARDAI-VOS; E DO NOME DE OUTROS
DEUSES NEM VOS LEMBREIS, NEM SE OUÇA DA VOSSA BOCA.”
Portanto, vemos que Deus não quer que nós
pronunciemos os nomes dos outros deuses, os falsos deuses, que são demônios
(Deuteronômio 32:17), e vemos também que Deus disse
que não pronunciar o nome de alguém é uma demonstração de execração, e não de
respeito.
Assim sendo, constata-se que Deus quer que
nós pronunciemos o nome d’Ele, e juremos pelo nome d’Ele, e cumpramos os
juramentos.
Está escrito em Joel 3:5 (em algumas
Bíblias é 2:32): “E acontecerá que todo o que invocar
o nome de Javé será salvo”.
Portanto, precisamos pronunciar e invocar o
nome de Javé para sermos salvos.
Existem algumas pessoas que dizem que não
se deve adaptar o nome YAHVEH para outras línguas. No entanto, esta adaptação é necessária, pois
cada língua tem o seu sistema fonético, e existem alguns fonemas (sons) que
existem em uma língua, mas não existem em outra língua.
Por exemplo: Em Português, não existe o Y
como semivogal, em início de sílaba, mas sim somente como vogal.
Portanto, se nós não fizermos a adaptação
do nome YAHVEH para Javé, a maioria das pessoas irá pronunciar Y-AH-VEH, com
três sílabas, o que é errado, pois o Y aí é semivogal, e funciona como
consoante, de modo que YAH é uma só sílaba, e o nome sagrado
deve ser pronunciado YAH-VEH, com apenas duas sílabas, ou YA-HE-VEH, se for
pronunciado de forma mais pausada.
Além disso, as pessoas não iriam pronunciar
o H aspirado que existe no meio da palavra, de modo que de qualquer forma a
pronúncia estaria errada.
Além disso, se não fizéssemos a adaptação
para o Português, as pessoas achariam a grafia YAHVEH estranha, e não saberiam
como pronunciar, e acabariam não pronunciando, ou evitando pronunciar.
Como Deus é o Criador de todas as nações, e
todas as nações devem adorá-lo, então o Seu nome deve ser adaptado para todas
as línguas.
Foi o próprio Deus quem fez a confusão das
línguas, como vemos em Gênesis11:1-9, de modo que Ele
sabe perfeitamente que cada povo tem a sua língua e o seu sistema fonético
diferentes dos de outros povos, o que torna necessário adaptar os nomes
próprios de uma língua para outra, para que as pessoas possam pronunciá-los.
Portanto, aqui no Brasil, podemos
pronunciar o nome de Deus nas suas formas adaptadas para a língua portuguesa,
que são Javé, Jaevé e Jae.
Para mais detalhes sobre este assunto,
vejam também a página chamada O
NOME DE DEUS É YAOHU?
Que Javé (Yahveh) vos abençoe.
João Paulo Fernandes
Pontes.
Publicado em 30 de dezembro
de 2003.
Atualizado em 1 de maio de 2011.
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