O QUE OS PAIS DA IGREJA ESCREVERAM SOBRE OS EBIONITAS
Os
assim chamados “pais da igreja” foram escritores cristãos antigos, que viveram nos
primeiros séculos da era cristã.
Estes
são trechos dos livros dos pais da igreja que são sobre os ebionitas:
1) Inácio (67-110 d.C.), Epístola aos Filadelfenses,
capítulo VI.
“Se
alguém diz que existe um só Deus, e também confessa Cristo Jesus, mas pensa que
o Senhor é um mero homem, e não o unigênito Deus, e a Sabedoria, e a Palavra de
Deus, e considera que Ele consiste meramente de uma alma e corpo, este tal é
uma serpente, que prega engano e erro para a destruição dos homens. E tal homem
é pobre em entendimento, até mesmo por nome ele é um Ebionita.”
2) Irineu (130-200 d.C.), Contra Heresias 1:26:1-2.
“1.
Cerinto, novamente, um homem que era formado na
sabedoria dos Egípcios, ensinava que o mundo não foi feito pelo Deus primário,
mas por um certo Poder longe separado dele, e a uma
distância daquele Principado, que é supremo acima do universo, e ignorante
dele, que está acima de tudo. Ele representou Jesus como não tendo nascido de
uma virgem, mas como sendo o filho de José e Maria, de acordo com o curso ordinário
da geração humana, enquanto ele, não obstante, era mais íntegro, prudente, e
sábio do que os outros homens. Além disso, depois de seu batismo, Cristo desceu
sobre ele na forma de uma pomba, do Regente Supremo, e que então ele proclamou
o Pai desconhecido, e fez milagres. Mas ao final Cristo partiu de Jesus, e que
então Jesus sofreu e novamente levantou-se, enquanto Cristo permaneceu
impassível, uma vez que ele era um ser espiritual.
2.
Aqueles que são chamados ebionitas concordam que o
mundo foi feito por Deus; mas suas opiniões a respeito do Senhor são
semelhantes àquelas de Cerinto e Carpócrates.
Eles usam o Evangelho segundo Mateus somente, e repudiam o Apóstolo Paulo,
afirmando que ele era um apóstata da lei. Quanto aos escritos proféticos, eles
esforçam-se para os expor em uma maneira um pouco
singular: eles praticam a circuncisão, perseveram na observância daqueles
costumes que são ordenados pela lei, e são tão Judaicos em seu estilo de vida,
que eles até adoram Jerusalém como se ela fosse a casa de Deus.”
3) Irineu (130-200 d.C.), Contra Heresias 3:11:7.
“7.
Tais, então, são os primeiros princípios do Evangelho: que existe um só Deus, o
Criador deste universo; Ele, que também estava anunciado pelos profetas, e que por
Moisés apresentou a dispensação da lei,-[princípios]
que proclamam o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, e ignoram qualquer outro Deus
ou Pai exceto Ele. Tão firme é o chão em que estes Evangelhos repousam, que os
muito hereges eles mesmos dão testemunho deles, e, a partir destes
[documentos], cada um deles esforça-se para estabelecer sua própria doutrina
peculiar. Porque os ebionitas, que usam o Evangelho
do Mateus somente, são refutados por este mesmo, fazendo suposições falsas em
relação ao Senhor. Mas Marcião, mutilando aquele
segundo Lucas, é provado ser um blasfemador do único Deus existente, por
aquelas [passagens] que ele ainda retém. Aqueles, novamente, que separam Jesus
de Cristo, alegando que Cristo permaneceu impassível, mas que foi Jesus que
sofreu, preferindo o Evangelho segundo Marcos, se eles o lessem com amor pela
verdade, teriam seus erros retificados. Aqueles, além disso, que seguem
Valentino, fazendo uso copioso daquele segundo João, para ilustrar suas conjunções,
será provado estarem totalmente em erro por meio deste mesmo Evangelho, como eu
mostrei no primeiro livro. Então, visto que nossos oponentes dão testemunho
para nós, e fazem uso destes [documentos], nossa prova derivada deles é firme e
verdadeira.”
4) Irineu (130-200 d.C.), Contra Heresias, 3:21:1.
“Capítulo
XXI. - Uma Vindicação da Profecia em Isaías (VII. 14) Contra as Más
Interpretações de Teodócio, Áquila, os ebionitas, e os judeus. A autoridade da Versão
Septuaginta. Argumentos em Prova de que Cristo Nasceu de uma Virgem.
1.
Deus, então, foi feito homem, e o Senhor Ele mesmo nos salvou, dando-nos o
sinal da Virgem. Mas não como alguns alegam, entre aqueles que agora presumem
expor a Escritura, [deste modo:] "Veja, uma mulher jovem conceberá, e dará
à luz um filho" como Teodócio o Efésio traduziu,
e Áquila de Ponto, ambos prosélitos judeus. Os ebionitas, seguindo estes, afirmam que Ele foi gerado
por José;
5) Irineu (130-200 d.C.), Contra Heresias 4:33:4.
“4.
Ele julgará também os ebionitas; [pois] como podem
eles ser salvos, a menos que tenha sido Deus quem operou sua salvação na Terra?
Ou como o homem passará a Deus, a menos que Deus tenha [primeiro] passado ao
homem? E como irá ele (o homem) escapar da geração sujeita à morte, se não por
meio de uma nova geração, dada de uma maneira maravilhosa e inesperada (mas
como um sinal de salvação) por Deus - [eu quero dizer] aquela regeneração que flui da virgem através
da fé? Ou como irão eles receber adoção de Deus se
eles permanecerem nesta [espécie de] geração, que é naturalmente possuída pelo
homem neste mundo? E como podia Ele (Cristo) ter sido maior que Salomão, ou
maior que Jonas, ou ter sido o Senhor de Davi, que era da mesma substância que
eles eram? Como, também, poderia ele ter subjugado aquele que era mais forte
que os homens, que tinha não somente sujeitado o homem, mas também o retivera
debaixo do seu poder, e conquistado aquele que tinha conquistado, enquanto ele
libertou a humanidade que tinha sido conquistada, a menos que Ele tenha sido
maior que o homem que tinha assim sido derrotado? Mas quem mais é superior a, e
mais eminente que, aquele homem que foi formado conforme a semelhança de Deus,
exceto o Filho de Deus, conforme cuja imagem o homem foi criado? E por essa
razão Ele nestes últimos dias exibiu a similitude; [pois] o Filho de Deus foi
feito homem, assumindo a antiga produção [de Suas mãos] em Sua própria
natureza, como eu mostrei no livro imediatamente precedente.”
6) Irineu (130-200 d.C.), Contra Heresias 5:1:3.
“3.
Vãos também são o ebionitas, que não recebem por fé
em sua alma a união de Deus e homem, mas que permanecem no fermento velho do
[natural] nascimento, e que não escolhem entender que o Espírito Santo veio
sobre Maria, e o poder do Altíssimo a encobriu: portanto também o que foi
gerado é uma coisa santa, e o Filho do Altíssimo Deus, o Pai de todos, que
efetuou a encarnação deste ser, e anunciou uma nova [espécie de] geração; para
que assim como pela anterior geração nós herdamos morte, assim por esta nova
geração nós pudéssemos herdar a vida. Portanto, estes homens rejeitam a mistura
do vinho celestial, e desejam que ele seja água do mundo somente, não recebendo
Deus para ter união com Ele, mas eles permanecem naquele Adão que tinha sido
conquistado e fora expelido do Paraíso: não considerando que assim como, no
princípio de nossa formação em Adão, aquele sopro de vida que procedeu de Deus,
tendo sido unido ao que tinha sido formado, animou o homem, e o manifestou como
um ser dotado de razão; assim também, no [tempo do] fim, a Palavra do Pai e o
Espírito de Deus, tendo se tornado unidos com a antiga substância da formação
de Adão, tornou o homem vivo e perfeito, receptivo do
Pai perfeito, para que como no natural [Adão] todos nós estávamos mortos, assim
no espiritual nós possamos todos ser feitos vivos. Pois nunca em nenhuma hora
Adão escapou das mãos de Deus, para quem o Pai, falando, disse: "façamos
homem à Nossa imagem, conforme a Nossa semelhança". E por essa razão nos
tempos últimos, não pela vontade da carne, nem pela vontade do homem, mas pela
boa vontade do Pai, Suas mãos formaram um homem vivo, para que Adão pudesse ser
criado [novamente] conforme a imagem e semelhança de Deus.”
7) Tertuliano (160-220 d.C.), Apêndice, Contra Todas as Heresias,
capítulo III.
“Capítulo
III. - Carpócrates, Cerinto, Ebion.
Carpócrates, além disso, introduziu a seita seguinte. Ele afirma que existe
uma Virtude, o chefe entre as superiores (regiões): que desta foram produzidos
anjos e Virtudes, que, estando muito distantes das Virtudes superiores, criaram
este mundo nas regiões mais baixas: que Cristo não nasceu da Virgem Maria, mas
foi gerado, um mero ser humano, da semente de José, superior (eles admitem)
acima de todos os outros na prática da retidão e em integridade de vida; que
Ele sofreu entre os judeus; e que a Sua alma sozinha foi recebida no céu como
tendo sido mais firme e forte que todas as outras: donde ele deduziria, retendo
somente a salvação das almas, que não existe nenhuma ressurreição do corpo.
Depois
dele surgiu o herege Cerinto, ensinando
semelhantemente. Pois ele, também, diz que o mundo foi originado por aqueles
anjos; e apresenta Cristo como nascido da semente de José, afirmando que Ele
era meramente humano, sem divindade; afirmando também que a Lei foi dada por
anjos; representando o Deus dos judeus como não o Senhor, mas um anjo.
Seu sucessor foi Ebion, não
concordando com Cerinto em todos os pontos; em que
ele afirma que o mundo foi feito por Deus, não por anjos; e porque está
escrito, "Nenhum discípulo está acima de seu mestre, nem o servo acima de
seu senhor", apresenta da mesma forma a lei como obrigatória, claro que
com a finalidade de excluir o evangelho e vindicar o judaísmo”.
8) Tertuliano (A.D. 160-220), Sobre a Carne do Senhor, capítulo
14.
“Esta
opinião será muito adequada para Ebion, que sustenta
que Jesus é um mero homem, e nada mais do que um descendente de Davi, e não é
também o Filho de Deus.”
9) Hipólito (falecido em 235 d.C.), A Refutação de Todas as
Heresias 7:22.
“Capítulo
XXII. - Doutrina dos Ebioneanos.
Os
Ebioneanos, porém, reconhecem que o mundo foi feito
por Aquele Que é em realidade Deus, mas eles propõem lendas a respeito do
Cristo semelhantemente a Cerinto e Carpócrates. Eles vivem em conformidade com os costumes dos
judeus, alegando que eles são justificados de acordo com a lei, e dizendo que Jesus
foi justificado por cumprir a lei. E então foi (de acordo com o Ebioneanos) que (o Salvador) foi chamado (o) Cristo de Deus
e Jesus, porque nenhum do resto (da humanidade) tinha observado completamente a
lei. Pois se mesmo qualquer outro tivesse cumprido os mandamentos (contidos) na
lei, ele teria sido aquele Cristo. E os (Ebioneanos
alegam) que eles mesmos também, quando em semelhante maneira eles cumprirem (a
lei), podem se tornar Cristos; pois eles afirmam que nosso Senhor Ele mesmo era
um homem em semelhante sentido com todo (o resto da família humana).”
10) Hipólito (falecido em 235 d.C.), A Refutação de Todas as
Heresias 10:18.
“Capítulo XVIII. O Ebioneanos.
Mas os Ebioneanos afirmam que o mundo
é feito pelo verdadeiro Deus, e eles falam de Cristo de uma maneira semelhante
com Cerinto. Porém, eles vivem sob
todos os aspectos de acordo com a lei de Moisés, alegando que eles são assim
justificados."
11) Orígenes (185-254 d.C.), Filocalia,
1:24.
“24.
Se nós ficamos impressionados pelo que foi dito sobre Israel e as tribos e as
centenas, quando o Salvador nos diz que Ele não foi enviado a não ser às
ovelhas perdidas da casa de Israel, nós não tomamos as palavras no mesmo
sentido que os ebionitas com sua pobreza de
entendimento (sua pobreza de intelecto lhes dá o seu nome, pois "Ebion" é a palavra hebraica para "pobre"), e
supõem que Cristo veio principalmente para Israel segundo a carne; pois
"não são os filhos da carne que são filhos de Deus". Novamente, o
Apóstolo dá semelhante ensino a respeito de Jerusalém quando ele nos diz que
"a Jerusalém que está em cima é livre, a qual é nossa mãe". E em
outra epístola ele diz, "Mas vós chegastes ao Monte Sião, e à cidade do
Deus vivo, a Jerusalém celeste, e às inumeráveis hostes de anjos, à assembléia
geral e igreja dos primogênitos que são arrolados no céu". Se, então,
Israel é uma raça de almas, e existe uma cidade, Jerusalém no céu, segue-se que
as cidades de Israel, e, conseqüentemente, toda a Judéia, têm por sua metrópole
a Jerusalém celeste. Conseqüentemente, tudo o que está predito ou dito a
respeito de Jerusalém, se nós escutarmos a Deus como Deus, e O ouvirmos falando
das profundidades da Sua sabedoria, nós devemos entender que as Escrituras se
referem à cidade celeste, e o país inteiro contendo as cidades da terra santa.
Pode ser que estas sejam as cidades para que o Salvador nos prepara
o caminho quando Ele dá o comando de dez ou cinco cidades para aqueles que
satisfatoriamente lidaram com as libras.”
12) Orígenes (185-254 d.C.), Comentário sobre Mateus 11:12.
“E Ele chamou a Si a multidão e disse-lhes, Ouvi e
entendei", etc. Nós somos claramente ensinados nestas palavras pelo
Salvador que, quando nós lemos em Levítico e Deuteronômio os preceitos sobre
carne limpa e suja, pela transgressão dos quais nós somos acusados pelos judeus
materiais e pelos ebionitas, que diferem pouco
deles, nós não devemos pensar que o escopo das Escrituras se acha em qualquer
entendimento superficial delas”.
13) Orígenes (185-254 d.C.), Contra Celso 2:1.
“Aqui
ele não observou que os judeus convertidos não abandonaram a lei dos seus pais,
já que eles vivem de acordo com suas prescrições, recebendo o seu próprio nome
da pobreza da lei, de acordo com a acepção literal da palavra; porque ebion significa "pobre" entre os judeus, e esses
judeus que receberam Jesus como Cristo são chamados pelo nome de ebionitas.”
14) Orígenes (185-254 d.C.), Contra Celso 5:61.
“Seja
admitido, além disso, que existem alguns que aceitam Jesus, e que se orgulham
por conta de serem cristãos, e mesmo assim regulam suas vidas, como a multidão
judia, de acordo com a lei judaica - e estes são a seita dos ebionitas, que tem duas partes, que ou reconhecem
conosco que Jesus nasceu de uma virgem, ou negam isto, e mantém que Ele foi
gerado como os outros seres humanos - o que isto aproveita com o objetivo de
acusação contra aqueles como pertencendo à Igreja, e a quem Celso chamou
aqueles da multidão?”
15) Orígenes (185-254 d.C.), Contra Celso 5:65.
“Pois
existem certas seitas heréticas que não recebem as Epístolas do Apóstolo Paulo,
como as duas seitas dos ebionitas, e aqueles que são
chamados Encratitas. Aqueles, então, que não
consideram o apóstolo como um homem santo e sábio, não
adotarão sua linguagem e não dirão: "O mundo está crucificado para
mim, e eu para o mundo".
16) Eusébio de Cesaréia (264-340 d.C.),
História Eclesiástica 3:27.
“Capítulo
XXVII. A Heresia dos Ebionitas.
1 O mau demônio, porém, sendo incapaz de rasgar certos outros da
sua lealdade ao Cristo de Deus, ainda os achou suscetíveis em uma direção
diferente, e assim os levou para os seus próprios propósitos. Os antigos muito
propriamente chamaram estes homens ebionitas,
porque eles mantinham opiniões pobres e medíocres a respeito de Cristo.
2 Pois eles o consideravam um simples e comum homem, que foi
justificado somente por causa de sua superior virtude, e que era o fruto do
intercurso de um homem com Maria. Em sua opinião a observância da lei
cerimonial era completamente necessária, pelo motivo de que eles não podiam ser
salvos pela fé em Cristo somente e por uma vida correspondente.
3 Havia outros, porém, além deles, que eram do mesmo nome, mas
evitavam as estranhas e absurdas crenças dos anteriores, e não negavam que o
Senhor nasceu de um virgem e do Espírito Santo. Mas não obstante, tendo em
vista que eles também se recusavam a reconhecer que ele pré-existiu, sendo
Deus, Palavra, e Sabedoria, eles se desviavam para a impiedade dos anteriores,
especialmente quando eles, como eles, esforçavam-se para observar estritamente
o culto corporal da lei.
4 Estes homens, além disso, pensavam que era necessário rejeitar
todas as epístolas do apóstolo, que eles chamavam um apóstata da lei; e eles
usavam somente o assim chamado Evangelho segundo os Hebreus e tinham em pequena
conta o resto.
5 O Sábado e o resto da disciplina dos judeus eles observavam
exatamente como eles, mas ao mesmo tempo, como nós, eles celebravam os dias do
Senhor como um memorial da ressurreição do Salvador.
6 Portanto, em conseqüência de tal curso eles receberam o nome de
ebionitas, que significava a pobreza do seu
entendimento. Pois este é o nome pelo qual um homem pobre é
chamado entre os hebreus.“
17) Eusébio de Cesaréia (264-340 d.C.),
História Eclesiástica 6:17.
“CAPÍTULO
XVII – O Tradutor
Símaco.
Sobre
estes tradutores, deve ser declarado que Símaco era
um ebionita. Mas a heresia dos Ebionitas, como é chamada, afirma que Cristo era
o filho de José e Maria, considerando-o um mero homem, e insiste fortemente em
guardar a lei de uma maneira judaica, como nós já vimos nesta história.
Comentários de Símaco ainda são existentes, nos quais
ele parece apoiar esta heresia, atacando o Evangelho de Mateus. Orígenes
declara que obteve estes e outros comentários de Símaco
sobre as Escrituras de uma certa Juliana, que, ele
diz, recebeu os livros por herança do próprio Símaco.”
18) Jerônimo (340-420 d.C.), Carta para Agostinho 4:13.
“13.
O assunto em debate, portanto, ou eu devia preferivelmente dizer tua opinião a
respeito disto, resume-se nisto: que desde a pregação do evangelho de Cristo,
os judeus que crêem fazem bem em observar os preceitos da lei, isto é, em
oferecer sacrifícios como Paulo fez, em circuncidar seus filhos, como Paulo fez
no caso de Timóteo, e guardar o Sábado Judaico, como todos os judeus têm sido
acostumados a fazer. Se isto for verdade, nós caímos na heresia de Cerinto e Ebion, que, embora
crendo em Cristo, foram anatematizados pelos pais por este único erro, que eles
misturavam as cerimônias da lei com o evangelho de Cristo, e professavam sua fé
naquilo que era novo, sem deixar ir o que era velho. Por que eu falo dos ebionitas, que têm pretensões ao nome de Cristão? Em
nossos próprios dias existe lá uma seita entre os judeus em todas as sinagogas
do Leste, que é chamada a seita do Minei, e é até agora condenada pelo Fariseus. Os aderentes a esta seita são comumente
conhecidos como Nazarenos; eles crêem em Cristo o Filho de Deus, nascido da
Virgem Maria; e eles dizem que Ele que sofreu sob Pôncio
Pilatos e ressuscitou, é o mesmo que aquele em quem nós cremos. Mas enquanto
eles desejam ser ambas as coisas, judeus e cristãos, eles não são nem uma coisa
nem outra. E portanto suplico a ti, que pensas que foste chamado para curar meu
ferimento leve, que é não mais, por assim dizer, que uma picada ou arranhão de
uma agulha, que dediques tua habilidade na arte de curar para este doloroso
ferimento, que foi aberto por uma lança impelida repetidamente com o ímpeto de
um dardo. Pois certamente não há
proporção entre a culpabilidade daquele que exibe as várias opiniões
sustentadas pelos pais em um comentário sobre a Escritura, e a culpa daquele
que reintroduz dentro da Igreja a mais pestilenta heresia. Se, todavia, não
existe para nós alternativa a não ser receber os judeus na Igreja, junto com os
usos prescritos por sua lei; se, em resumo, for declarado
legal para eles continuar nas Igrejas de Cristo o que eles têm sido acostumados
a praticar nas sinagogas de Satanás, eu direi a você minha opinião sobre o
assunto: eles não se tornarão cristãos, mas eles nos farão judeus”.
19) Jerônimo (340-420 d.C.), Carta para Agostinho, 4:16.
“16. Nós aprendemos de ti
que Paulo abandonou as coisas más peculiares aos judeus; vamos agora aprender
do teu ensinamento que coisas boas que eram judaicas ele reteve. Tu
responderás: “As observâncias cerimoniais em que eles continuaram a seguir a
prática de seus pais, na maneira em que elas eram cumpridas pelo próprio Paulo,
sem acreditar que elas sejam de algum modo necessárias para a salvação”. Eu não
entendo completamente o que tu queres dizer pelas palavras, “sem acreditar que
elas sejam de algum modo necessárias para a salvação”. Pois se eles não
contribuem para a salvação, por que eles são observados? E se eles devem ser
observados, eles certamente contribuem para a salvação; especialmente vendo
que, por os observarem, alguns foram feitos mártires: pois eles não seriam
observados a menos que eles contribuam para a salvação. Pois eles não são
coisas indiferentes — nem boas nem ruins, como os filósofos dizem. O
autocontrole é bom, a autoindulgência é ruim: entre
estes, e indiferentes, como não tendo nenhuma qualidade moral, estão tais
coisas como caminhar, assoar o nariz, cuspir catarro, etc. Tal ação é não é nem
boa nem ruim; pois se tu fazes isto ou não fazes isto, isto não afeta a tua
condição de justo ou injusto. Mas a observância de cerimônias legais não é uma
coisa indiferente; é ou bom ou ruim. Tu dizes que é bom. Eu afirmo que é ruim,
e ruim não só quando feito por Gentios convertidos, mas também quando feito por
judeus que creram. Nesta passagem tu cais, se eu não estou errado, em um erro
enquanto evita outro. Pois enquanto tu te guardas contra as blasfêmias de
Porfírio, tu ficas emaranhado nas armadilhas de Ebion,
declarando que a lei é obrigatória para aqueles que creram dentre os
judeus. Percebendo, novamente, que o que
tu disseste é uma doutrina perigosa, tu tentas qualificar isto por palavras que
são somente supérfluas, a saber: “A lei deve ser observada não por alguma
crença, como a que leva os judeus a guardá-la, de que isto é necessário para a salvação, e não em alguma dissimulação enganadora como
Paulo reprovou em Pedro”.
20) Agostinho (354-430 d.C.), Carta para Jerônimo, 3:16.
“16.
Devo eu também resumir “o assunto em debate, ou preferivelmente tua opinião a
respeito disto” (para
citar tua própria expressão)? Parece-me ser isto: que depois que o evangelho de
Cristo foi publicado, os judeus que crêem que agem corretamente se eles oferecerem
sacrifícios como Paulo fez, se eles circuncidarem seus filhos como Paulo
circuncidou Timóteo, e se eles observarem o “sétimo dia da semana, como os
judeus sempre fizeram, sob a condição apenas de que eles façam tudo isso como
dissimuladores e enganadores.” Se esta é a tua doutrina, nós estamos agora
precipitados, não na heresia de Ebion, ou daqueles
que são comumente chamados Nazarenos, ou qualquer outra heresia conhecida, mas
em um novo erro, que é ainda mais pernicioso porque se origina não em engano,
mas em deliberado e planejado esforço para enganar.”
Através destas passagens dos livros dos pais da igreja, nós
sabemos quais eram as crenças dos ebionitas, e
assim nós podemos ver que os ebionitas eram os verdadeiros seguidores de Jesus Cristo
(Yeshua haMashiach),
e que é necessário obedecer a todos os
mandamentos da Lei de Deus, e que a
verdadeira Bíblia é a Bíblia dos
ebionitas, que é composta somente pelos livros do
Antigo Testamento (Tanach), e que a
verdadeira história de Jesus Cristo está
no evangelho que era usado pelos ebionias, o qual foi escrito em hebraico, e não contém
todos os trechos que estão no Evangelho segundo Mateus em grego que é usado
pelos cristãos.
Vejam também esta página:
http://www.servosdejave.org.br/ebionitas_ortodoxos_e_heterodoxos.htm .
Que Javé (Yahveh) vos
abençoe.
João Paulo Fernandes
Pontes.
Publicado em 26 de junho
de 2005.
Atualizado em 16 de dezembro
de 2011.
EN FRANÇAIS EN ESPAÑOL IN ENGLISH בעיברית